quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015

Opinião - Divergente (livro e filme)

Ao contrário do que costumo fazer, assisti ao filme adaptado do primeiro livro dessa trilogia antes de ler o livro.
Resisti ao livro (até porque tinha um milhão de livros para ler e séries para continuar e precisava me conter para não ter mais coisas do que humanamente possível de seguir), pensei em esperar alguém (Nati) fazer um comentário fantástico que me atraísse para a história, depois esperei sair o filme (que assisti em um voo) e aí o filme (o que não é comum) me fez ficar interessada pela história, e curiosa.
{E aí ganhei a trilogia de presente de amigo secreto da minha Mamis linda e amada!}

Imagine tomar uma decisão para vida inteira, uma decisão que decidirá seu futuro. Sem volta. Agora imagine tomar essa decisão aos 16 anos.
Beatrice terá de tomar essa decisão, como todos os adolescentes da sua idade, mas talvez ela tenha algo diferente dos outros, talvez ela seja diferente.
A trilogia literária acontece em um futuro distópico, na cidade de em Chicago, em que a sociedade é dividida em facções que têm funções e características próprias dentro de uma ordem complexa.
Em Divergente, todos os adolescentes devem escolher, ao chegarem aos 16 anos, qual o futuro que querem ter, em qual facção se encaixam, a qual facção pertencem.
Será na Abnegação, sempre em prol do próximo e contra qualquer tipo de egoísmo? Na Amizade, negando a agressividade e vivendo pacificamente? Na Audácia, abraçando a coragem para proteger a todos? Talvez na Erudição, acreditando que o conhecimento seja o caminho para a evolução? Ou na Franqueza, prezando a verdade e a justiça acima de qualquer coisa?
Lembrando-se sempre: Facção antes de sangue!
Um livro bem escrito e com questões a se pensar sobre a humanidade e a política, mas mostrado dentro de um “universo paralelo”. Veronica Roth criou personagens complexos e críveis, com características reconhecíveis, apesar de alguns extremos.
Particularmente não conheço muitas pessoas que se encaixariam em uma facção sem qualquer dúvida ou falha dentro da mesma. Dificilmente alguém é completa e invariavelmente pacífico, ou altruísta, ou corajoso, ou sábio, ou verdadeiro. Pelo menos não naturalmente, é algo que se aprende e faz parte da evolução como pessoa buscar ser uma ou mais dessas coisas.  No entanto o livro trata disso com muita coerência, separando e organizando as pessoas por objetivo pessoal.
A linguagem é fácil e leve, apesar do tema poder ser pesado se pensado seriamente. E a autora consegue ser coesa durante todo o livro, fazendo com que os motivos, causas e consequências se encaixem sem ficar aquela sensação de “Como assim? De onde saiu isso?” que algumas vezes temos em ficções como esta.
Apesar do livro ser em primeira pessoa e focar na protagonista exclusivamente, a mesma (Beatrice) mostra-se bastante consciente e interessada, dando, assim, uma boa visão de tudo o que está acontecendo e qual as consequências pra quase todos.
Se o objetivo é um livro com bastante ação, este é um bom livro. Se o objetivo é ler uma ficção que faça refletir sobre características do “mundo real”, esta é a ficção. Se quer uma história com um romance não regular, bonitinho, mas não "mais do mesmo", esta é a história.
Mesmo sendo sobre uma adolescente, o livro tem potencial para atrair gostos e idades diferentes, e tem partes que te fazem ficar grudado ao livro e partes que te faz discordar do que está escrito (se você for um ser humano razoavelmente normal e saudável).

Na tela, o mundo de Beatrice foi bem adaptado, resumidamente.
Alguns detalhes ficam de fora e deixam situações um pouco soltas, o que tira um pouco a qualidade da distopia como foi escrita, mas é o tipo de coisa que faz parte do processo de adaptação para o cinema. Não que eu concorde com os cortes, eles poderiam ter sido feitos em outras coisas ou de outro jeito.
O que me deixou mais desconfortável foram as modificações de personagens e situações em prol do visual e comercial, para encaixar atores, etc. Se você ler e assistir saberá do que estou falando {SPOILER ALERT!} [quando Tris pega a bandeira e Christina é baixinha, e ninguém cita os iniciandos que são excluídos, não retratam direito o ataque a Tris, não mostram nem falam das agressões de Peter ou do pobre Edward, entre outras coisas. Sim, essas coisas fazem diferença!] {fim do spoiler}

OK, o principal é passado, e se não tivesse gostado do filme não teria lido o livro em seguida. Ele tem seu mérito.
Para quem não leu [e não vai ler na verdade], o filme passa a mensagem quase bem. Deixa algumas questões em aberto, mas esperamos que elas sejam esclarecidas de alguma maneira nos próximos filmes.





Livro: ✩ ✩ ✩ ✩ ★ 4,5
Filme: ✩ ✩ ✩ ✩ ★ 4,0 (pensando como um filme inspirado no livro)

4 comentários:

  1. Eu corri contra o tempo e li o livro (se não me engano Divergente e Insurgente) antes do filme sair, a memória ainda estava fresca então fiquei um pouco decepcionada com algumas coisas que faltaram, algumas não muito relevantes (cadê os óculos do Caleb???) e outras que eu considerava primordiais para o futuro da trilogia (Peter enfiando a faca no olho do Edward).
    Mas quando vi o filme pela segunda vez á passei a aceitar e gostar mais, agora estou ansiosa pelos próximos filmes.
    E na minha opinião a trilogia teve um ótimo desfecho! Não feliz, porém bom!

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    1. Ainda não li os outros livros, foi uma questão de prioridade ler este pra rever o filme, e ler outros pra ver ou rever filmes também. Mas essas coisas fazem falta pra história, na minha opinião, como eu coloquei no spoiler alert.

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    2. Ainda não li os outros livros, foi uma questão de prioridade ler este pra rever o filme, e ler outros pra ver ou rever filmes também. Mas essas coisas fazem falta pra história, na minha opinião, como eu coloquei no spoiler alert.

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  2. Este comentário foi removido pelo autor.

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